Com mais de 5 mil voos por dia em 1.250 aeronaves, o combustível é fundamental para a operação e desempenho da Delta. A companhia aérea utiliza cerca de 3,9 bilhões de galões de combustível a cada ano e otimizar a utilização dele é um foco fundamental da abordagem inovadora da Delta para o modelo de negócios da companhia aérea.

A companhia aérea fez algumas grandes mudanças na forma como adquire e distribui combustível nos últimos anos. O Delta News Hub entrevistou Patrick Callan, diretor de Fornecimento e Operação de Combustíveis para Aeronaves, para discutir a grande tarefa de comprar e fornecer para a frota de aeronaves da Delta.

Delta News Hub: Você passou por onde antes de ingressar na Delta?

PC: Recebi o meu diploma de graduação da Universidade de Michigan e meu MBA da Michigan State. Trabalhei por vários anos na área de energia em Houston antes de entrar na Northwest Airlines após a pós-graduação. Mudei para Atlanta em 2008 e trabalhei em diversas funções financeiras aqui na Delta por alguns anos. Vejo minha função agora como se eu tivesse completado um ciclo, vendo a minha experiência com energia, finanças e supply chain.

DNH: Conte-nos sobre a sua função aqui no Delta. Quais são as suas principais responsabilidades?

PC: A minha principal prioridade é garantir que quando um passageiro embarca em um avião da Delta, caso ele ouça do piloto que voo está atrasado, o passageiro não ouvirá ele dizendo que isso é por conta da aeronave estar sem combustível! Lidero uma equipe talentosa que supervisiona todos os aspectos do fornecimento de combustível, dos contratos de compra ao ponto de entrega à aeronave que está sendo reabastecida na pista.

Resumindo, eu tenho que assegurar que temos a quantidade de combustível que precisamos, com o melhor preço e qualidade possível, onde e quando precisamos dele.

DNH: Como o combustível é comprado?

PC: Por conta das grandes quantidades de combustível que a Delta utiliza, não podemos simplesmente comprá-lo conforme o necessário no posto, da forma que você faz para o seu carro. O processo começa com a solicitação de propostas – ofertas para apresentar propostas para o fornecimento de combustível em determinados aeroportos – para fornecedores de combustível para aeronaves. Quando essas propostas são aceitas, o grupo de combustíveis monitora o desempenho do contratante, soluciona problemas de abastecimento e permanece no plantão o tempo todo em caso de fornecimento urgente ou questões operacionais.

E enquanto as compras e operações estejam centralizadas, negociamos individualmente os contratos de combustível para cada um dos mais de 350 aeroportos (incluindo estações de desvio e fretamento) onde servimos, dependendo da logística e da economia de cada situação individual.

DNH: Como o combustível é transportado para nossas aeronaves?

PC: O combustível é distribuído por meio de um sistema complexo que inclui oleodutos, navios, transporte ferroviário e caminhões. Os oleodutos são a maneira mais econômica de levar combustível a um aeroporto, e transportar por meio de caminhões tende a ser o mais caro. A equipe de combustíveis trabalha para alcançar o método de transporte mais eficiente e ao mesmo tempo evitar os problemas de abastecimento.

A abordagem integrada da Delta para a compra de combustível também nos permite praticar "tankering" em uma base dinâmica, que é basicamente carregar mais combustível em aeroportos de baixo custo para que não tenhamos que consumir tanto em estações de alto custo.

DNH: Por que alguns aeroportos têm problemas de abastecimento de combustível?

PC: Aeroportos diferentes tendem a ter diferentes problemas que podem afetar a oferta. O de Nova York, por exemplo, é altamente congestionado com muitas companhias aéreas que necessitam de combustível e apenas um oleoduto disponível para entregá-lo, então o fornecimento às vezes pode atrasar, apesar de possuir um oleoduto que funciona constantemente.

DNH: Qual foi o projeto mais desafiador que você trabalhou na Delta?

PC: Tenho que dizer que o que tem sido mais gratificante até agora é ser parte da pequena equipe que lidera o esforço (para Delta) em adquirir a refinaria Trainer (Monroe Energia em Trainer, no estado da Pensilvânia). Todos pensaram que éramos loucos, mas foi um passo corajoso para uma companhia aérea e está realmente começando a valer a pena. Amei o desafio de trazer tudo sobre a refinaria a bordo. Isso oferece à Delta muitas vantagens sobre a concorrência e o que continua a me motivar é garantir que a equipe de combustível entregue melhores resultados que os nossos concorrentes.

DNH: Como que a refinaria Trainer irá nos ajudar com o fornecimento de combustível?

PC: A refinaria em Trainer, Pensilvânia, foi fechada por um curto período antes da Delta comprá-la e reiniciar a operação. Ela oferece muitas vantagens à Delta, muito bem documentadas, e sua atual projeção é ter um lucro de US$ 300 milhões em 2015. Uma das principais vantagens para nós é que a instalação envia o combustível refinado por meio de um oleoduto para Nova York, o que ajuda a manter um fluxo constante de combustível para uma de nossas cidades mais importantes.

DNH: A refinaria auxilia a companhia em outras regiões?

PC: Sim. A Delta tem contratos com outras refinarias para trocar os produtos da Trainer que não sejam combustíveis para aeronaves, como gasolina e diesel, por ainda mais combustível para aeronaves. Esse combustível é distribuído para aeroportos de todo o sistema nacional, incluindo locais estratégicos, como LAX (Los Angeles), ATL, LAS (Las Vegas), DFW (Dallas-Fort Worth) e ORD (Chicago-O'Hare).

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