Justiça atrasada. Justiça negada. Isso não está bom. Então... A hora é agora.

Hoje, 19 de junho, é o Dia da Libertação, data que celebra o fim da escravidão nos Estados Unidos, que trouxe a emancipação de quase 4 milhões de cativos. Essa efeméride, especificamente, marca não apenas a emancipação em si, mas a importante mensagem de liberdade que, em 1865, finalmente chegou a um grupo escravizado em Galveston, no Estado norte-americano do Texas, que não havia recebido a notícia de que a Proclamação da Emancipação tinha sido assinada dois anos antes.

Em outras palavras, não demorou dois anos para as notícias se mostrarem verdadeiras – levou dois anos para que as notícias chegassem aos

Keyra Lynn Johnson

escravizados. Apenas pense: dois anos de libertação tardia. Dois anos para honrar uma proclamação. E, talvez o mais impressionante, dois anos de alguns permanecendo em silêncio à vista do erro.

Esta pode ser a primeira vez que muitos ouvem falar do Dia da Libertação. Para outros, pode ressoar de novas maneiras durante mais uma crise racial devastadora.

Enquanto este ano a data é um momento propício para a reflexão e educação, as celebrações tradicionais incluem reuniões com copos cheios de refrigerante de morango (a primeira bebida que os escravos libertados tomaram para comemorar, uma vez que ela não era permitida nas plantations, as fazendas da época da escravidão*) e bolo do tipo red velvet (veludo vermelho*), além de arroz e feijão. O mar de comidas vermelhas simboliza a perseverança. Entre elas também está frequentemente incluso o tea cake (um bolo pequeno, geralmente servido quente e comido com manteiga*) – um deleite com sabor de biscoito de açúcar e infusão de especiarias, o qual é parte da história dos afrodescendentes transmitida ao longo de gerações como uma versão improvisada dos doces admirados nos salões das plantations.

O Dia da Libertação nos lembra o quão recente é nosso passado. Embora os Estados Unidos tenham superado essa forma de escravidão, ainda não absorvemos completamente o impacto duradouro e residual que isso teve em nosso mundo. De antes de 1865, por meio do Movimento dos Direitos Civis, até agora, o racismo e a injustiça foram exibidos em diversas hashtags para contar essa história. Muitas ações tangíveis podem e precisam ser tomadas – e nós não desanimaremos. Mas talvez o maior apelo à ação seja o seguinte: não podemos permanecer calados diante do erro.

Devemos lidar com o nosso passado para entender o nosso presente, a fim de corrigir o futuro. Seja em nossas casas, comunidades, ambiente de trabalho ou qualquer outro, devemos nos tornar antirracistas. O antirracismo, um passo importante além da pró-igualdade, ajuda a abolir a opressão silenciosa. Ele preenche a lacuna entre saber o que é certo e fazer o que é certo – especialmente quando a equidade está ao seu alcance.

Não temos mais dois anos a perder. Nosso mundo clama por justiça. Não vamos ficar calados ou fazer parte do atraso contínuo. O Dia da Libertação não é simplesmente um marco afro-americano; é um marco norte-americano que todos devemos dedicar tempo para reconhecer.

Considere fazer hoje um dia de educação, reflexão e compromisso de usar sua voz, influência ou privilégio para corrigir nossos erros sociais. E sim, não há problema em ser festivo nem em saborear suas comidas favoritas – e um ou dois tea cakes (ou, no meu caso, três). #UntilWeAllCare (Até que Todos se Importem*) #BlackLivesMatter (Vidas Negras Importam*)

Keyra Lynn Johnson é diretora de Diversidade da Delta

*Nota do editor.

 

Tópicos Relacionados: Keyra Lynn Johnson, Diversidade

Related Topics