Um ano após o início da pandemia, a Delta relatou sinais animadores de recuperação na conferência do J.P. Morgan realizada em 15 de março de 2021. Durante o evento, o CEO da Delta, Ed Bastian, e o presidente da companhia, Glen Hauenstein, informaram os investidores e analistas sobre o desempenho financeiro da empresa aérea, bem como suas perspectivas para os próximos meses.

Entre os sinais positivos, março está mostrando um forte impulso nas reservas, com uma melhora constante nas vendas líquidas em dinheiro em relação ao ano passado. À medida em que a confiança do consumidor nas viagens aéreas avança, a Delta vai acertar dívidas e acelerar as contribuições voluntárias para seus planos de pensão, incluindo um pagamento de US$ 1 bilhão para pensões durante o trimestre de junho. Isso reduzirá os custos anuais com juros em cerca de US$ 110 milhões e as despesas com pensões em torno de US$ 90 milhões. A empresa também planeja começar a pagar à vista pelas aeronaves que receberá no segundo trimestre.

A queima média diária de caixa neste primeiro trimestre deve ser de US$ 12 milhões a US$ 14 milhões, próximo à média que era inicialmente esperada. E a organização terminará o período com queima de caixa, no mês de março, perto do ponto de equilíbrio.

Bastian compartilhou que está confiante de que a Delta está no caminho para atingir uma queima de caixa neutra na primavera do Hemisfério Norte, com uma recuperação sustentada no segundo semestre de 2021 e um retorno à lucratividade no trimestre de setembro. A razão mais importante para essa perspectiva positiva, disse ele, “é o ótimo trabalho que nosso pessoal fez. A experiência da Delta é realmente ímpar e vamos mantê-la”.

Citações dos executivos durante a apresentação, reunidas em sequência, estão logo abaixo. Ouça a íntegra da conferência ou leia sua transcrição no site de Relações com Investidores da Delta.

CEO Ed Bastian:

“O foco holístico que assumimos na recuperação é o que me dá otimismo, conforme vemos a demanda voltando a níveis significativos e começamos a sentir o que considero verdadeiros lampejos de esperança. E tivemos alguns desses vislumbres ao longo do ano passado, mas eles se mostraram falsos, eu acredito, em muitos aspectos. Mas agora parece ser real, palpável, e, embora ainda tenhamos um longo caminho a percorrer, estamos em um lugar muito, muito melhor do que estivemos por um bom tempo atrás”.

“A verdadeira história deste trimestre, você sabe, começou há cerca de cinco ou seis semanas, quando começamos a ver as reservas aumentarem. E isso coincidiu claramente com a confiança no mercado, o que fez as pessoas começarem a reservar seus voos para a primavera e o verão (do Hemisfério Norte*)”.

“Quando olhamos para o trimestre corrente, parece-nos que, para o mês de março, esperamos que nossas receitas de primeira linha sejam cerca de 40 por cento mais altas do que vimos em fevereiro, o que é um grande avanço. Claro, você sempre espera um aumento significativo de fevereiro a março, por isso é bom ver algo da sazonalidade tradicional começando a aparecer. Historicamente, a variação na sazonalidade tem estado numa faixa média de 30 por cento, então obter um aumento de 40 por cento de fevereiro para março é bom”.

“Ao olharmos para a primavera (do Hemisfério Norte*), mencionamos que nossa meta é alcançar o equilíbrio de caixa no referido período, o que para nós corresponde ao segundo trimestre. Continuo cautelosamente otimista de que teremos a tração que estamos vendo aqui e seguiremos com ela. Então, conforme a recuperação continua a tomar forma e ganhar força no verão (do Hemisfério Norte*), teremos o retorno da lucratividade para a Delta, esperançosamente no terceiro trimestre”.

“Agora, é claro, essas previsões baseiam-se em nossa expectativa de que as vacinas continuem a ser lançadas e que a imunidade de rebanho provavelmente será alcançada em nosso país (Estados Unidos*), provavelmente em algum momento na última parte do segundo trimestre, como o final da primavera, início do verão, e isso devolve a confiança às viagens domésticas, que voltam de forma robusta”.

Presidente Glen Hauenstein:

“Fizemos grandes progressos no final de março. Realmente, nas últimas cinco ou seis semanas, vimos uma trajetória muito diferente em termos de reservas futuras, à medida em que a contagem de casos dos Estados Unidos diminuiu desde o pico no final de janeiro e a vacinação continua a avançar no mercado. Portanto, vimos o que consideraríamos ser uma grande demanda reprimida, principalmente para viagens domésticas e internacionais de curta distância voltadas ao lazer. Na semana passada, as compras digitais, como um marcador prospectivo, foram 70 por cento restauradas aos nossos níveis de 2019, e isso é quase 15 pontos a mais em relação a dezembro. E, claro, nosso índice de interesse por reservas continua a se fortalecer. Portanto, vimos em todas as janelas (de compra antecipada*) uma força muito positiva. E isso é realmente bastante diferente de qualquer outro ponto em que estivemos na pandemia, com mais reservas feitas com antecedência começando a ser feitas agora”.

“A única coisa que foi consistente durante toda a pandemia foi a compressão da janela de reserva, em que a maioria das reservas de voo ficou entre 6 e 14 dias de antecedência no decorrer do período. E, realmente, nas últimas seis semanas, percebemos essa mudança. Assim, as solicitações que ultrapassam 60 dias estão quase estáveis ​​em relação aos níveis de 2019, apenas alguns pontos abaixo. E essa é uma situação muito diferente do ano passado. Portanto, há sinais muito encorajadores”.

“Claro que ainda não liberamos nosso assento do meio. Nosso bloqueio de poltronas intermediárias segue em vigor e isso vai ser uma ferramenta bastante poderosa. Se conseguimos atingir o ponto de equilíbrio no mês de março com mais de 30 por cento das nossas poltronas disponíveis não sendo vendidas, pense em como será à medida em que a demanda continua a retornar e conforme liberarmos tais assentos no futuro. Isso será uma alavanca incrivelmente forte para nós, com um custo mínimo para abrir esses assentos”.

*Notas do editor.

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