Em 21 de janeiro de 2008, Mallory Weggemann, então com 18 anos, ficou paraplégica após um procedimento médico de rotina, que consistia na aplicação da terceira e última injeção peridural para dor nas costas causada por uma neuralgia pós-herpética (enfermidade caracterizada pela dor persistente após a melhora das lesões de pele ocasionadas pelo herpes zoster*). Os treze anos seguintes trouxeram desafios, frustrações, êxitos e triunfos à medida em que ela se tornou uma medalhista de ouro e bronze paraolímpica, nadadora 15 vezes campeã mundial e escritora.

“Depois da minha lesão, eu só queria retornar à data de 20 de janeiro de 2008, um dia antes de eu ficar paraplégica”, disse Weggemann. “Mas você não pode voltar no tempo. Não é essa a direção que devemos seguir. Embora ter me tornado paraplégica tenha sido traumático, e muita dor e perda vieram com isso, eu me tornei a pessoa que sou por causa dessa experiência”.

Weggemann juntou-se ao CEO da Delta, Ed Bastian, na segunda-feira, 22 de março, para um encontro virtual com os funcionários da companhia, no qual eles falaram sobre o que significa ser resiliente e superar desafios. O ano passado foi difícil para a empresa aérea, seus colaboradores e as comunidades ao redor do mundo, mas Weggemann compartilhou uma mensagem que aprendeu com suas experiências: “Não é o momento, não são as circunstâncias, é quem escolhemos ser e como respondemos às situações que, em última análise, definem quem somos e do que somos capazes”.

Depois da paraplegia, Weggemann conheceu os Jogos Paraolímpicos quando sua irmã a levou para acompanhar as provas desse tipo na Universidade de Minnesota. Daquele dia em diante, Weggemann virou seus olhos para a competição.

Ela teve seus triunfos, incluindo quebrar recordes mundiais e ganhar o ouro paraolímpico, e enfrentou dificuldades, como uma lesão no braço que quase encerrou sua carreira e o fato de não ter conquistado medalhas nos jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

“O que aprendi por não chegar ao pódio no Rio foi que não tive um fracasso, de jeito nenhum”, disse Weggemann. “Colocando-me lá fora e vendo o que eu sou capaz de fazer, nunca vou ficar brava em relação a isso. Acho que nenhum de nós deve sentir-se assim. Todos nós falhamos, é inevitável. Se não alcançamos o objetivo, não estamos estabelecendo metas boas o suficiente”.

Por meio dos desafios e êxitos, Weggemann disse que tem dois tipos de mentalidade: uma no estilo “Eu faço”, que ela tem desde a infância, e uma do jeito “Nós fazemos”, desenvolvida desde o começo de sua paralisia. Ambas são importantes: é preciso ter independência, mas também é necessário saber quando pedir ajuda.

O CEO Ed Bastian concordou, dizendo que, no ano passado, quando a empresa enfrentou seus momentos mais desafiadores da história, ele confiou em sua equipe para levar os negócios adiante.

“Isso não sou eu, somos nós. São os 75 000 (funcionários da Delta*) em quem sempre penso, a força coletiva de nossa organização e nossa equipe que me impulsionam a fazer o que tenho de fazer”, disse Bastian. “A parte ‘Nós’ é muito importante. Quando chegamos à conclusão de que não é sobre nós, é sobre cada um de nós, é aí que a mágica ocorre".

Assista o vídeo completo do encontro.

*Notas do editor.