PERSPECTIVA

Diretora Executiva de Sustentabilidade da Delta: Por que estou otimista sobre 2024 e o caminho para neutralizar nossas emissões

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Amelia DeLuca, Chief Sustainability Officer
Amélia DeLuca
Diretora executiva de Sustentabilidade

Amelia DeLuca atua como diretora executiva de Sustentabilidade da Delta Air Lines, liderando a companhia aérea em sua jornada para zerar as emissões até 2050 e oferecer uma experiência de viagem mais sustentável e elevada ao longo do caminho.

A diretora executiva de Sustentabilidade Amelia DeLuca compartilha algumas maneiras pelas quais a Delta já está trabalhando para alcançar uma estratégia abrangente de sustentabilidade ambiental projetada para o longo prazo.

A missão da Delta de conectar melhor o mundo nunca foi tão importante em nosso caminho para zerar as emissões até 2050 e alcançar um futuro mais sustentável para as viagens. É por isso que, há um ano, introduzimos um roteiro estratégico para atingir nossas ambições climáticas e de sustentabilidade. Na Delta, acreditamos que o que é medido é feito, por isso nossa estratégia pública abraça metas de curto, médio e longo prazos para orientar o que voamos, como voamos e o combustível que usamos, tudo isso enquanto apoiamos as experiências de alto nível que os clientes da Delta esperam. 

Com mais de 90% de nossa pegada de carbono proveniente do combustível de aviação, estamos focados, todos os dias, em reduzir as emissões em nossa própria operação, enquanto trabalhamos com as partes interessadas do setor para soluções de descarbonização de longo prazo. Em 2024, esperamos que esse trabalho reduza ainda mais o consumo de combustível, estimulando políticas e a construção de coalizões em apoio à descarbonização, o que ao mesmo tempo impulsiona a eficiência de custos em nossos negócios. 

À medida em que nosso trabalho de descarbonização continua, também estamos implementando medidas de sustentabilidade em toda a companhia de maneiras dentro de nosso controle hoje, como reduzir os plásticos de uso único a bordo. Atualmente, estamos testando um design de copo de papel completamente novo com o qual, uma vez implementado em toda a nossa rede, esperamos eliminar aproximadamente 3,2 milhões de quilos de plásticos de uso único (SUPs, na sigla em inglês) a bordo anualmente – esse é o peso de 1.300 picapes. O ano de 2024 será aquele em que continuaremos a criar ímpeto para otimizar nosso provisionamento a bordo (menos peso na aeronave queima menos combustível) e em toda a experiência em solo, reduzindo o desperdício. 

Embora tenhamos um caminho claro para nosso trabalho em 2024, a estratégia abrangente de sustentabilidade ambiental da Delta foi projetada para ser de longo prazo. Aqui estão algumas maneiras pelas quais já estamos vendo esse plano em ação: 

1. A sustentabilidade é uma consideração central para as decisões de negócios.

Nosso roteiro de sustentabilidade envolve influenciar decisões de negócios que vão desde o que voamos e como voamos, até o combustível que usamos para chegar lá.

O que voamos

A Delta investiu pesado em aeronaves de última geração, que garantem experiências seguras, confiáveis e premium ao cliente, ao mesmo tempo em que oferecem eficiência de combustível superior, incluindo:

  • O A321neo, que a Delta começou a receber em 2022, é 20% mais eficiente em termos de combustível do que as aeronaves que aposentamos em sua classe. A Delta está atualmente operando 48 dessas aeronaves, com um total de 155 programadas para voar com nossas cores até o final de 2028;
  • O A220, do qual a Delta é o cliente de lançamento na América do Norte, oferece mais de 25% de eficiência de combustível em relação às outras pequenas aeronaves de fuselagem estreita que estão sendo aposentadas. A Delta adicionará 77 dessas aeronaves às 68 já em serviço; e
  • Nossos pedidos anunciados recentemente para 20 A350-1000 de próxima geração, que começaremos a receber em 2026 para nossas operações internacionais. Essa frota será 20% mais eficiente em termos de combustível do que outras aeronaves de fuselagem larga que estão sendo retiradas, aproveitando a frota existente de A350-900 que crescerá para 44 aeronaves.

Também estamos instalando winglets (componentes aerodinâmicos posicionados na extremidade da asa de uma aeronave e que têm a função diminuir o arrasto*) aprimorados em frotas existentes, como o 737-900ER e o 737-800, para melhorar a eficiência de combustível e, ao mesmo tempo, equipar essas aeronaves com pneus de trem de pouso mais leves e de alto desempenho. 

Enquanto estamos de olho em orientar tecnologias futuras para descarbonizar nosso setor, estabelecemos uma meta em 2023 de garantir cinco parcerias com players revolucionários de tecnologia até 2025, e estamos no caminho certo. Em 2024, continuaremos construindo nossas parcerias com a Airbus e a Boeing para estimular o desenvolvimento de fuselagens mais eficientes em termos de combustível, com a ambição de ter aeronaves totalmente sustentáveis alimentadas por tecnologia revolucionária em ação até 2050.

Como voamos

Voar de forma mais inteligente e eficiente reduz o consumo de combustível e as emissões correspondentes. Em 2023, a Delta economizou 21 milhões de galões de combustível por meio de melhorias operacionais impulsionadas por seu Conselho de Carbono interdivisional. Essas economias de combustível vêm de inovações iniciadas pela empresa, como redução de peso, roteamento e procedimentos de pouso aprimorados. Temos uma meta agressiva de economizar 45 milhões de galões até 2025 e, como resultado, continuaremos a identificar áreas onde podemos criar eficiências de combustível no próximo ano.

Também estamos trabalhando em toda a nossa operação para otimizar o peso a bordo de nossas aeronaves, reduzindo o desperdício. Ao testar soluções para uso dentro dos aviões, como copos mais sustentáveis e níveis de água potável e de fornecimento de refeições mais eficientes, estamos trabalhando para oferecer uma experiência de viagem mais sustentável e ainda mais elevada, ao mesmo tempo em que reduzimos resíduos e emissões.

O combustível que usamos para chegar lá

Mais de 90% da pegada de carbono da nossa companhia vem do combustível de aviação. E se pudéssemos ter uma nova fonte de combustível e, concomitantemente, trazer um futuro mais sustentável?

Aqui entra em cena o Combustível de Aviação Sustentável, ou SAF (sigla em inglês para Sustainable Aviation Fuel), como é comumente chamado. O SAF é a maior alavanca de curto prazo que a indústria tem para alcançar nossas aspirações de descarbonização. Os maiores desafios: não há produção anual suficiente para abastecer as companhias aéreas comerciais do mundo por um único dia, e o SAF é duas a quatro vezes mais caro do que o combustível de aviação convencional. 

A Delta estabeleceu uma meta ambiciosa de usar 10% de SAF em nossos voos até o final de 2030. Mas não podemos fazer isso sozinhos: precisamos que os governos federal, estaduais e municipais nivelem as condições de jogo, avançando e apoiando o mesmo tipo de políticas de incentivo que estimularam a eletrificação da indústria automobilística. O governo federal (dos Estados Unidos*) já deu um primeiro passo importante ao promover os primeiros incentivos ao SAF do mundo e vários estados norte-americanos (incluindo Illinois, Washington e Minnesota) seguiram o exemplo, enquanto outros estão avaliando novas políticas.

A Delta também está agindo para impulsionar coalizões e parcerias em todo o nosso setor e além dele. No ano passado, lançamos o Minnesota SAF Hub, primeiro de seu tipo, como um membro âncora em coordenação com a Greater MSP, para colaborar em toda a cadeia de valor do SAF e alavancar o investimento e a produção. Também somos membro fundador da Americans for Clean Aviation Fuels, a primeira coalizão nacional de SAF focada em promover os benefícios econômicos de um mercado doméstico robusto desse tipo de combustível com o objetivo de estimular políticas de apoio ao SAF. Em 2024, você verá a Delta investindo nesse trabalho com o objetivo de, em última análise, criar um mercado global onde a maior parte do nosso combustível será SAF até 2050.

2. Cada um importa para a sustentabilidade. 

A equipe de 100 000 funcionários da Delta é conhecida por fazer bem as coisas difíceis. É o poder das pessoas da Delta que nos permite executar a operação mais confiável do mercado, criando oportunidades para transformar pequenas ideias pessoais em grande impacto coletivo. É por isso que os Conselhos de Resíduos e de Carbono da Delta foram criados para incluir representantes de departamentos de toda a empresa. Nosso Conselho de Carbono já economizou 21 milhões de galões de combustível por meio de melhorias operacionais, enquanto nosso Conselho de Resíduos iniciou projetos piloto para entender melhor o estado da reciclagem a bordo.

Os Grupos de Pesquisa em Negócios (BRG, na sigla em inglês) liderados por funcionários da Delta também desempenharam um papel fundamental na integração do pensamento de toda a empresa em nosso planejamento estratégico. Somos gratos pela paixão e pela experiência que permeiam as equipes em toda a Delta por meio de nossos 4 500 membros do Green Up, em particular – foi deles a ideia para que nossos quiosques de check-in entrassem no modo de economia de energia à noite, o que agora é implementado em toda o sistema. Também organizamos desafios anuais de inovação, em que os funcionários de toda a organização se unem para criar e apresentar ideias à equipe de liderança que ajudam a tornar a Delta mais sustentável, algumas das quais acabam sendo implementadas na operação. Juntas, muitas pequenas ações como essa geram um impacto significativo.  

3. A colaboração é fundamental.

Descarbonizar o nosso negócio e a nossa indústria é difícil. É por isso que, repetidas vezes, volto a isto: resolver as alterações climáticas não é algo que uma pessoa, organização, governo ou comunidade possa fazer sozinha. 

É preciso que todos trabalhemos juntos para não apenas fazer nossa parte agora, mas continuar inovando para o futuro. Trata-se também de transformar compromissos em ação, por meio de parcerias e coalizões, inovação tecnológica e maneiras criativas de escalar conceitos comprovados. 

É por isso que estou tão energizada pelo trabalho colaborativo que estamos fazendo dentro de universidades, como nosso trabalho com o MIT (Massachusetts Institute of Technology) para pesquisar rastros de condensação, e a Aliança de Aviação de Impacto Zero para reimaginar o transporte aéreo com impacto ambiental reduzido. Também estamos colaborando no setor privado com parceiros grandes e pequenos, como a startup Gevo, que está inovando em torno da criação de combustível de aviação a partir de milho e outras matérias-primas. 

Inspiro-me ainda no trabalho que meus colegas de outras companhias aéreas estão fazendo para resolver as dificuldades de descarbonização do nosso negócio. Embora sejamos concorrentes ferozes na frente comercial, acredito que as marés crescentes da sustentabilidade levantam todos os barcos. É importante que todos nós sejamos pioneiros e inovadores em diferentes direções, compartilhando nossos aprendizados ao longo da jornada e descobrindo juntos quais caminhos ajudarão nossa indústria a alcançar as ambições de emissões zero de forma mais eficaz. 

Estou inspirada pelas fundações que estamos lançando há anos e ainda mais animada com a construção que estamos fazendo agora para moldar o futuro mais sustentável das viagens. Keep Climbing.

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